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Maria do Jasmim

− De graça, alegria e suor vêm o som dos tambores. Buscando a paz que o corpo não cessa de pedir aos meus pés, passos de esperança buscam alternativas as dores que são minhas e de mais ninguém. Da poeira do chão brota sempre alento aos que ali ajoelham, entre gritos, chicotes e esporos, o cansaço quase desmonta o corpo e a existência. Foi assim que vivi, entre os murmúrios dos muitos que me procuravam tentando entender. Aos tantos e muitos, levei o que pude, mas a mim quase nada foi oferecido. Só muito depois, já quando as forças iam esvaindo do corpo foi que vi: o meu quinhão era mesmo secar o pranto do outro, sem derramar o que tinha em demasiado.  “Viver trazendo alento foi a maior experiencia que podia viver. Nova chance foi me dada, voltei, mas com a cor da pele mais atinada a claridade. Aos poucos, desde menina, fui nas ervas verdes de pai Oxóssi, aprendendo a transformar as dores em cura como instrumento de paz. Agora aos que procuravam, era preciso além de dar peixe ...

Vovó Cambinda

− Fios, que alegria é estar aqui nesse dia bendito e santo, e quanto tempo esperamos por este momento em que o verbo se transforma em letra e esta velha de mão calejada e rosto sofrido pode contar um pouco de si. Eita que vocês pareciam cangos afoitos e preocupados se mais tarde teria o que comer de tanto que tagarelavam de mim! Tô reclamando não fios, acho bonito o prosear de vocês e o quanto a alegria é contagiante, tá certo que eu sinto o coração de alguns apertado, mas fios quando eu sentava no terreiro e pedia resposta à Olorum e aos Orixás, eles nunca me abandonaram. Meus telhado era as estrelas e minha proteção vinha dos raios de Iansã e nada nunca me faltou.” “Os fios devem está perguntando “como assim vó, nada faltou? A vó era escrava...”, mas fios eu tinha o que precisava, tinha as águas de Oxum que me banhava, tinha a força de Oxóssi que me fazia valorizá o que sobrava da casa grande e a sobra virava fartura, eu tinha as folhas de Ossaim que me ajudavam a curar os can...